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17/02/2016 - 18:00
O trabalho e a produtividade dos servidores do Judiciário mineiro
por Arthur Lobato*
 
No artigo anterior, fizemos uma reflexão sobre o trabalho e a gestão por injúria. Diferentemente  do assédio moral, que é feito de forma oculta, visando um “alvo” no grupo de trabalhadores, a gestão por injúria é “o tipo de comportamento despótico de certos administradores, despreparados, que submetem os empregados a uma pressão terrível ou os tratam com violência, injuriando-os e insultando-os, com total falta de respeito”.  Assim, a “violência destes tiranos perturbados é notada por todos”, afirma Marie France Hirigoyen, pesquisadora francesa, psiquiatra e psicanalista.
 
O trabalho envolve a tarefa e o relacionamento dos trabalhadores na busca do produto final que chamaremos de “obra”, segundo Hannah Arendt. Mas o que é o trabalho no serviço público, especificamente no judiciário mineiro? Como é o modelo de gestão?
 
Qual a incidência do assédio moral e da gestão por injúria? As metas e a impossibilidade de cumpri-las, seja por falta de tempo ou de servidores, são fatores que contribuem para o absenteísmo?  O que sabemos sobre os impactos das novas tecnologias, em especial a implementação do PJE,  sobre a saúde e ergonomia do trabalhador?
 
A construção de um Núcleo Sindical de Saúde certamente abordará os seguintes temas para debater com os servidores:
 
Afinal, o que é o trabalho no Judiciário mineiro? É um tema pouco estudado. Será que é um trabalho que produz uma “obra” (o processo)?  Mas, este “produto final” não é um objeto de uso ou consumo, é um serviço do Judiciário para a sociedade, uma decisão da Instituição judiciária enquanto mediadora dos conflitos humanos. Mas, até chegar no produto final (a decisão processual), existe a divisão do trabalho, que faz com que cada servidor contribua com a construção da obra/processo, mas de forma fragmentada,  portanto, não tem conhecimento do produto final (a resolução processual). Por exemplo, quem fica no balcão de atendimento ao público recebe um produto já pronto: uma petição, uma liminar, um processo, e este trabalhador, protocola o recebimento destes documentos, que passa às mãos de outro servidor, que é analisado pelo assessor do juiz, e este fornece a decisão final, que pode ser contestada em outras instâncias, ou seja, a “obra” nunca estará completa até a decisão em última instância que dependendo do caso pode levar anos.
 
Afinal, qual é o "modo de produção” no serviço público e qual a relação de satisfação e sofrimento, que o trabalhador tem neste processo? Qual a relação da organização do trabalho e do modelo de gestão com a divisão de tarefas? Qual a relação de poder da hierarquia sobre os subordinados? Pode-se falar em produtividade em uma atividade que é basicamente de prestação de serviços para a sociedade e não a produção de objetos para uso ou consumo? Sabemos que toda produtividade no trabalho envolve a mais valia, ou seja, o excedente de trabalho que é praticado pelo grupo de trabalhadores como um todo, pois o grupo produz mais em equipe, é a força do coletivo,  e todo grupo é mais que a soma de indivíduos.
 
A produtividade, dogma do modo de produção capitalista tradicional, pode ser conseguida pela aceleração do ritmo do trabalho, pela tecnologia, pela agilidade, ou capacidade física/psíquica dos envolvidos no trabalho, pela captura da subjetividade do trabalhador pela empresa/instituição, ou também pelo recurso de obrigar o trabalhador fazer horas extras sem receber por elas. Mas os seres humanos possuem uma singularidade, cada ser é único, e não podemos no processo de trabalho querer que todos tenham o mesmo ritmo e capacidades, somente máquinas mantém o mesmo ritmo, os humanos tem seus limites que devem ser respeitados. Entretanto, quem não produz , no ritmo exigido pelas chefias,  que querem que metas sejam superadas constantemente, é punido, perseguido, assediado, excluído. Isto esta acontecendo com você?
 
Esta reflexão tem que ser feita pelos servidores e pelo sindicato, pois o ano de 2016 será o momento em que além do trabalho diário, haverá o trabalho extra para a reposição dos dias da greve de 2015. Portanto, temos que estar atentos ao autoritarismo das chefias, denunciar a gestão por injúria, combater o assédio moral. Queremos a solidariedade entre o grupo de trabalhadores e que todo o mal estar no trabalho seja denunciado ao sindicato, pois, tanto o assédio quanto a gestão por injúria, agressões pontuais, exigências incabíveis, aumentam o estresse e adoecem os trabalhadores, gerando danos para o indivíduo e prejuízo para a instituição e consequentemente para a sociedade.  
 
Estas são algumas das questões que eu, enquanto pesquisador, só poderei saber se os servidores se dispuserem a relatar sua dinâmica de trabalho, a partir de uma reflexão crítica sobre o que é o trabalho no serviço público do Judiciário mineiro, para que o SINJUS-MG possa elaborar uma política de intervenção no modo de produção do serviço público, a partir da vivência e experiência dos servidores, com  críticas e sugestões dos próprios trabalhadores. Afinal, são eles e elas que fazem o trabalho e podem contribuir para melhorar as relações de trabalho.
 
Neste processo de construção, a partir deste mês, toda quinta feira, das 14h às 18h estarei no SINJUS-MG, para receber aqueles servidores e servidoras que queiram fazer esta reflexão sobre o trabalho, como ele é feito, quais as críticas e sugestões que podem ser encaminhadas para melhorar a atividade realizada.
Queremos entender também qual o grau de realização e frustração com o trabalho realizado. Qual o comportamento de chefias frente aos problemas e, principalmente, lutar contra o autoritarismo, a gestão por injúria e o assédio moral.
 
Não podemos esquecer que além de adoecer e levar ao suicídio, o assédio moral é crime. Só uma ação coletiva envolvendo servidores e sindicato pode mudar a organização do trabalho e evitar o sofrimento e adoecer do trabalhador.
 
Agendem com o Projeto Núcleo de Saúde Sindical, pelo telefone (31) 3123-5247.
A partir de fevereiro teremos um encontro semanal:
TODA QUINTA-FEIRA, DE 14 ÀS 16 HORAS NO SINJUS–MG.

*Arthur Lobato é Psicólogo/Saúde do Trabalhador 


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